quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

BRASIL: A FARSA DA MONTAGEM QUE DIZ QUE BRASILEIROS SÃO SUJOS E AMERICANOS CIVILIZADOS - COM VÍDEO


Montagem que compara praia de Miami à de Copacabana após a festa de Réveillon tenta induzir internautas a acreditarem que brasileiros são sujos e americanos civilizados. No entanto, publicação não diz que a foto estadunidense retrata uma praia particular fora da época

Ivan Longo, Revista Fórum

Vem circulando pelas redes sociais, desde o último dia 1º, uma montagem comparando a quantidade de lixo deixado em uma praia de Miami (EUA) e na praia de Copacabana (RJ) após a festa de Ano Novo. O intuito da postagem, que foi compartilhada por centenas de internautas, era o de depreciar o brasileiro diante do cidadão estadunidense, conforme sugeriu o próprio autor da montagem na legenda.

“A primeira foto abaixo é Copacabana no dia 1º de 2016. A segunda foto abaixo é de Miami no 1º dia de 2016. Acho que este país merece o governo que tem… Porcos! Lamentável! Complexo de vira-lata? Não! É a realidade”, escreveu.

A montagem, no entanto, não passa de uma farsa. A foto da praia de Copacabana, de fato, corresponde ao fim da festa de Réveillon de 2016. A de Miami, por sua vez, registra uma praia particular, de South Beach, e foi tirada em junho de 2009 por Ben Granthan. O local é considerado de elite e uma diária em um hotel da região varia entre mil e dois mil dólares – ao passo que a praia de Copacabana, que recebeu 2 milhões de pessoas esse ano, é pública.

Esse costume que parte da elite brasileira tem em depreciar o Brasil para enaltecer uma dinâmica clássica de desigualdade social ao reafirmar que “prefere Miami” é, constantemente, alvo de ironia por parte de figuras do humor. Marcelo Adnet, por exemplo, interpretou em 2012 o personagem Marco Graco – estereótipo escrachado do brasileiro com o “complexo de vira-latas”. Confira o vídeo abaixo.
Para se ter uma ideia de como a montagem induz a uma falácia, basta comparar uma foto real da festa de Ano Novo entre os dois países. A fotografia abaixo da NewsWeek, por exemplo, retrata como ficou a Times Square, em Nova Iorque, após o Réveillon de 2015.


O local, inclusive, é considerado por muitos uma “roubada” no Ano Novo por conta da superlotação e falta de estrutura. O jornalista Guga Chacra, por exemplo, lembrou, no último dia 31, que algumas pessoas vão comemorar o Réveillon na Times Square de fraldas por não existirem banheiros públicos.



Segue o link do Canal no YouTube e o Blog
Gostaria de adicionar uma sugestão, colabore com o NÃO QUESTIONE

Este Blog tem finalidade informativa. Sendo assim, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). As imagens contidas nesse blog foram retiradas da Internet. Caso os autores ou detentores dos direitos das mesmas se sintam lesados, favor entrar em contato.

BRASIL: VOCÊ SOUBE? - FOLHA DIVULGA DENÚNCIA CONTRA AÉCIO EM NOTA DE RODAPÉ


Esquema de propina envolvendo o senador Aécio Neves (PSDB-MG) é escondido em nota de rodapé na Folha de S.Paulo. O que o jornal faria se o citado por um delator fosse o ex-presidente Lula ou Dilma Rousseff?

Nesta quarta-feira, às vésperas do fim do ano, a Folha de S. Paulo trouxe um furo de reportagem do jornalista Rubens Valente. Segundo um dos delatores da Operação Lava Jato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do principal partido de oposição e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, recebeu uma propina de R$ 300 mil da empreiteira UTC.

Em condições naturais de temperatura e pressão, a notícia teria sido estampada na manchete principal do maior jornal do Brasil. No entanto, mereceu apenas uma nota de rodapé na primeira página da publicação, confirmando a tese do colunista André Singer de que a mídia faz de tudo para abafar a corrupção tucana.

“Enquanto o PT aparece, diuturnamente, como o mais corrupto da história nacional, o PSDB, quando apanhado, merece manchetes, chamadas e registros relativamente discretos. O primeiro transita na área do megaescândalo, ao passo que o segundo ocupa a dimensão da notícia comum”, disse Singer. “A salvaguarda do PSDB pelos meios de comunicação reforça a tese de que o objetivo é destruir a real opção popular e não regenerar a República.”

O caso de Aécio mereceria ainda mais destaque, quando se leva em conta o fato de que, há um ano, o senador tucano, em aliança com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vem liderando uma cruzada moralista para derrubar a presidente Dilma Rousseff, num terceiro turno sem fim que tem causado sérios danos à economia. No entanto, como disse Singer, a denúncia contra o tucano “ocupa a dimensão da notícia comum”.

Vale-tudo contra Lula

A Folha, naturalmente, poderá argumentar que, no caso de Aécio, a denúncia de um delator carece de comprovação. Mas não foi esse o comportamento do jornal quando se tratava do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No dia 16 de outubro deste ano, a Folha cravou em sua manchete a seguinte notícia: “Delator diz ter repassado R$ 2 mi para nora de Lula”. Era mentira. A Folha havia apenas embarcado numa “barriga” (jargão jornalístico para as notícias falsas) do colunista Lauro Jardim, do Globo, o que mereceu reparos da ombudsman da publicação.

Mais recentemente, a Folha deu outras demonstrações de sua perseguição a Lula. Ao noticiar uma denúncia contra o senador Delcídio Amaral, a Folha estampou na manchete a foto do ex-presidente. Quando o pecuarista José Carlos Bumlai foi denunciado, ele também perdeu o direito ao nome e foi retratado como “amigo de Lula”.

Nas pesquisas recentes do Datafolha, Aécio e Lula têm sido pesquisados como os dois principais nomes da disputa presidencial de 2018.


Fonte: 247

Segue o link do Canal no YouTube e o Blog
Gostaria de adicionar uma sugestão, colabore com o NÃO QUESTIONE

Este Blog tem finalidade informativa. Sendo assim, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). As imagens contidas nesse blog foram retiradas da Internet. Caso os autores ou detentores dos direitos das mesmas se sintam lesados, favor entrar em contato.

BRASIL: COMISSÃO PASTORAL DA TERRA (CPT), DESAFIO PARA POVOS DO CAMPO EM 2016 SERÁ ENORME


Em relatório, pastoral aponta que 2015 foi ano de muitos retrocessos, e que só com organização e mobilizações esse cenário irá se reverter.


Do Brasil de Fato 


A Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou nesta terça-feira (5) um balanço da questão agrária no Brasil em 2015.

A crise política e econômica no Congresso resultou, de acordo com a pastoral, em pautas conservadoras e no corte de verbas para políticas sociais no campo.

“O Congresso Nacional, com a mais conservadora formação das últimas décadas, manteve-se a serviço do poder econômico, que financiou as ricas campanhas eleitorais (…) Houve uma preocupante predominância de pautas conservadoras.

São exemplos: os inquietadores projetos para implantar a terceirização, a redução da maioridade penal, a restrição da demarcação das terras indígenas, a mudança na rotulação de produtos transgênicos, o tratamento restritivo do estatuto da família, a mudança do estatuto do desarmamento, a mudança no regime de partilha do pré-sal, dentre outras iniciativas voltadas ao conservadorismo e ao retrocesso nas conquistas sociais”.

Os cortes de 50% no orçamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra impediram que a meta de assentar 30 mil famílias em 2015 fosse cumprida.

“Os movimentos sociais do campo questionam os dados do MDA, que declarou ter assentado cerca de 13 mil famílias de trabalhadores rurais até outubro, quando somente cerca de sete mil novas famílias haviam sido assentadas até então. De todo modo, o número é muito aquém da necessidade das famílias acampadas no Brasil”.


Conflitos


A violência no campo em 2015 foi, de acordo com dados parciais da CPT, o ano com maior número de mortes no campo desde 2004: foram assassinados 49 camponeses, sem terras e assentados da Reforma Agrária.

“Parte significativa das ocorrências de conflitos neste ano continuou sendo provocada pelo poder privado, com destaque para fazendeiros, grandes latifundiários, grandes empresas, mineradoras, hidrelétricas, portos, dentre outras grandes obras de infraestrutura. O fato demonstra uma disputa, excessivamente desigual, por territórios e bens naturais entre o poder privado e as comunidades camponesas”. 

A atuação dos órgãos estatais em relação aos camponeses também foi apontada pela pastoral como alarmante. “A violência praticada pelo próprio Estado brasileiro, através da força policial, dos investimentos aos grandes projetos desenvolvimentistas, das ações do Poder Judiciário e das portarias e decretos que limitam as demarcações e desapropriações, permanece alarmante”.


Ambiente 


A crise ambiental também foi aprofundada. Houve aumento em 16% do desmatamento da Amazônia, e tragédias como a de Mariana (MG) configuraram um dos maiores desastres ambientais da história.

“O Estado prossegue na contramão das necessidades globais, atendendo os interesses de empresas criminosas que financiam parlamentares e defendem o crescimento a qualquer custo”.

Do mesmo modo, o Brasil continua como o maior consumidor mundial de agrotóxicos, mantendo a autorização de comercialização e uso de produtos que já foram banidos em vários países. 

“Enquanto de um lado, os órgãos reguladores são flexíveis com a liberação desses produtos no país, a estrutura dos órgãos de vigilância e fiscalização foi concebida para não funcionar e impede o acompanhamento das populações expostas, deixando de verificar quais são os riscos do contato com essas substâncias”. 


Condições de trabalho


O combate ao trabalho escravo também sofreu retrocessos, com a suspensão da Lista Suja de Trabalho Escravo por decisão liminar do STF a pedido de grandes construtoras e o pedido de revisão do conceito de trabalho escravo por parte de deputados da bancada ruralista, aponta a CPT.

“A alegação é de que o conceito atual, enunciado no artigo 149 do Código Penal – em vigor desde 2003 e parabenizado internacionalmente –, abre a porta a exageros, arbitrariedade e insegurança jurídica.

Trata-se de uma alegação falsa, pois o baixo efetivo de auditores fiscais em atividade tem reduzido as autuações, considerando como em condições análogas à escravidão apenas um caso em cada sete estabelecimentos fiscalizados, sob o frágil argumento de que trabalho escravo só se caracterizaria pela soma de violações e não pela verificação de infrações isoladas”.


Mobilizações


Apesar de todas as dificuldades, 2015 foi um ano de muitas lutas para os camponeses. A pastoral destaca a jornada das mulheres da Via Campesina e a marcha das Margaridas, que mobilizaram milhares de camponesas de todo o país, além das ocupações de terras em todo país, que ganharam força em 2015. 

Os povos indígenas de todo o Brasil também realizaram grandes mobilizações e fizeram de Brasília um de seus principais campos de luta contra a PEC 215. 

“Além dos protestos, as populações indígenas exigiram respeito, denunciaram as violências de que são vítimas em inúmeros fóruns e tribunais nacionais e internacionais e reivindicaram o cumprimento da Constituição para impedir retrocessos ou supressão de direitos”.

A CPT termina seu balanço acreditando que somente com organização a organização dos camponeses e trabalhadores rurais é que o cenário de 2015, que se prolongará em 2016, possa ser revertido.

“Somente com luta é que os trabalhadores rurais e movimentos sociais conseguirão evitar a clara tendência da permanência dos conflitos agrários. As comunidades camponesas impactadas por este modelo de desenvolvimento continuarão desafiadas a assumir para si a responsabilidade da resistência como único caminho para permanecerem existindo. Os desafios são enormes e, aos povos do campo, caberá a firmeza no olhar e a coragem nos passos para avançar em seus direitos, como sempre fizeram”.


Segue o link do Canal no YouTube e o Blog
Gostaria de adicionar uma sugestão, colabore com o NÃO QUESTIONE

Este Blog tem finalidade informativa. Sendo assim, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). As imagens contidas nesse blog foram retiradas da Internet. Caso os autores ou detentores dos direitos das mesmas se sintam lesados, favor entrar em contato.

BRASIL: FAMÍLIA CUNHA TEM R$ 1,8 MILHÃO EM BENS INJUSTIFICADOS, APONTA RECEITA


Depois das contas na Suíça, que de pés juntos ele negou ter, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deve agora dar explicações à Receita Federal. Isso porque a receita apontou que o aumento patrimonial de Cunha e de seus familiares é incompatível com a renda declarada.

Assim como negou ter contas no exterior, tudo indica que o parlamentar “esqueceu” de incluir na declaração cerca de R$ 1,8 milhão. Os dados fazem parte do relatório da Receita, feito a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) que o investiga no esquema da Lava Jato. O salário bruto de deputado federal atualmente é de R$ 33,7 mil. Cunha e sua mulher também são sócios de empresas na área de comunicação.

Ainda segundo o relatório, esse aumento patrimonial foi verificado nas contas de Cunha, de sua mulher e da sua filha Danielle entre os anos de 2011 e 2014. Os números foram publicados em reportagem da Folha de S. Paulo desta quinta-feira (7)

Segundo apurações em que Cunha, esposa e filha são investigados pela Polícia Federal, suspeita-se que eles mantinham contas secretas no exterior, com valor equivalente a R$ 9,6 milhões, abastecidas por recursos desviados da Petrobras.

Citado no esquema de corrupção por ter recebido US$ 5 milhões em propina, Cunha é alvo também de um pedido de afastamento do comando da Câmara pela PGR. Ele, como fez no caso das contas na Suíça, nega que possui patrimônio “a descoberto” e que desconhece o relatório da Receita. 


Fonte: Vermelho Org

Segue o link do Canal no YouTube e o Blog
Gostaria de adicionar uma sugestão, colabore com o NÃO QUESTIONE

Este Blog tem finalidade informativa. Sendo assim, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). As imagens contidas nesse blog foram retiradas da Internet. Caso os autores ou detentores dos direitos das mesmas se sintam lesados, favor entrar em contato.

BRASIL: LU ALCKMIN VOA MAIS QUE SECRETÁRIOS EM JATOS DO GOVERNO DE SP


Esposa do governador tucano já fez 132 deslocamentos em jatos e helicópteros oficiais – perto do dobro dos 76 realizados por auxiliares do governo

A primeira-dama do estado de São Paulo, Lu Alckmin, fez mais viagens utilizando aeronaves do governo do que os próprios secretários que auxiliam o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

De acordo com informações obtidas pelo jornal Folha de S. Paulo via Lei de Acesso à Informação, a presidenta do Fundo Social de Solidariedade de São Paulo foi a passageira principal de 132 deslocamentos feitos em jatos e helicópteros oficiais entre 2011 e 2015. O número representa praticamente o dobro das viagens feitas pelos secretários de Alckmin nessas aeronaves. Juntos, eles realizaram 76 voos.

“Dona Lu desenvolve um amplo trabalho voluntário, com agenda transparente”, justificou o governo em nota. Além da esposa de Alckmin, a Lei de Acesso à Informação indica que foram disponibilizadas aeronaves oficiais do governo para pessoas de fora da administração estadual. São os casos de empréstimos de jatos a políticos como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-premiê britânico Tony Blair e o senador Delcídio do Amaral (PT-MS).


Fonte: Carta Capital

Segue o link do Canal no YouTube e o Blog
Gostaria de adicionar uma sugestão, colabore com o NÃO QUESTIONE

Este Blog tem finalidade informativa. Sendo assim, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). As imagens contidas nesse blog foram retiradas da Internet. Caso os autores ou detentores dos direitos das mesmas se sintam lesados, favor entrar em contato.

BRASIL: A DESIGUALDADE REVISITADA


A desigualdade é uma das caras do poder, seja ele qual for, de batina, de farda, de terno e gravata ou terninho, de posição social ou econômica.

A questão da desigualdade é milenar, bafeja tempos imemoriais de acordo com a situação e as condições de cada época histórica. Só para lembrar, Cristo já dizia que os “últimos serão os primeiros”. Este alerta foi um dos letreiros mais brilhantes de sua passagem por aqui.

Em sua mensagem a providência de todos no sentido de tirar do pé da escada os despossuídos e desvalidos e os levarem para junto aos demais nos degraus de cima. Seja no reino dele, seja no mundo dos homens.

A teologia da libertação de saudosa memória, para começar este texto pelo âmbito religioso, já pregava a emancipação dos pobres dos grilhões da estrutura social e econômica anacrônica, conservadora e reacionária.

A mensagem mais perturbadora de Cristo “amai o próximo como a ti mesmo” é a antítese da desigualdade, pois ela conclama a aproximação fraterna, livre e desimpedida de iguais, seres humanos que dependem do trabalho para construir suas vidas e um mundo melhor.

Ainda persiste as sementes de suas mensagens e ensinamentos pelos rincões brasileiros, embora abafada pela sanha da máquina do sistema e pela própria alta administração da Igreja em Roma que silenciou padres, bispos e teólogos.

No fundo, no fundo, a desigualdade é uma das caras do poder, seja ele qual for, de batina, de farda, de terno e gravata ou terninho, de posição social ou econômica. Não é à toa que a maioria esmagadora dos revolucionários vieram de baixo, dos despossuídos. Eric Hobsbawm foi um dos que tratou desse assunto em seu livro imperdível Os Bandidos.

O poder do estado se assenta de um lado na legislação que limita, impõe e pune e de outro lado nos aparatos judiciais, policiais e militares. O cidadão já nasce e entra na vida fragilizado diante de um poder constituído e visível que só permite ações dentro do regramento social e da conduta civil legal.

Não que se sustente a esbórnia geral e irrestrita, caso em que estaríamos à beira da barbárie, mas que o cidadão se valha da insubordinação civil para protestar e defender direitos porventura cerceados ou impedidos.

O poder dos sistemas econômicos por sua vez vem da hierarquia estabelecida na sociedade pelas classes e estamentos sociais e nas unidades produtivas pelas classificações ocupacionais e estruturas salariais. Tipo cada macaco no seu galho.

Das relações entre o poderes do estado e dos sistemas econômicos se estabelecem as posições sociais dos indivíduos ou grupos e suas respectivas porções de riqueza entre ativos físicos e financeiros. Essa tessitura social e econômica é que sustenta nas comunidades, classes e grupos as bases e fundamentos dos regimes.

Uma armadura complexa que domina o dia a dia das sociedades e das economias é difícil de ser rompida ou alterada para a redução dela mesma, isto é, para a melhoria da desigualdade dela nascida, reproduzida e mantida.

Apesar do fracasso econômico das experiências socialistas conhecidas, os seus regimes conseguiram melhorar consideravelmente a situação social dos cidadãos ao reduzir a desigualdade.

Dirão os críticos que a turma dirigente manteve privilégios, o que não é verdade em todos os casos, mas mesmo assim a maioria da população conseguiu obter o básico para viver, trabalhar, estudar e cuidar da saúde. Recentemente, por exemplo, relatório da ONU apontou Cuba como o país com os melhores níveis alcançados no mundo em saúde e educação.

O fracasso econômico das experiências socialistas contrasta com a pujança econômica do capitalismo. Ao revés o fracasso social do capitalismo contrasta com condição social do socialismo. A desigualdade no capitalismo sobrepuja a do socialismo.

Talvez seja uma questão de peso e medida. A combinação dos sucessos de um e de outro, tendo em conta seus respectivos fracassos, pode apontar, se é que seja possível, para alguma solução conciliatória. Que embora há séculos sendo procurada ainda não rendeu frutos. Só o futuro dirá.

No caso do Brasil, a melhoria da desigualdade é evidente desde 2003 para cá. A maioria dos indicadores aponta para essa direção nos estudos efetuados pela margem direita e pela esquerda do rios brasileiros.

Estudo recente feito por pesquisadores do IPEA, cobrindo o mais vasto período de tempo até hoje abordado, aponta que a desigualdade no país oscilou de pior no período da ditadura e melhor nos governos de Juscelino Kubitschek e João Goulart.

Já nos anos recentes pesquisa minha** mostra que nos últimos quatro governos do país a desigualdade reduziu de forma acentuada. Programas como o PAC (Programa de Aceleração Econômica), Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, PRONATEC, PROUNI e outros contribuíram para o resultado, além de aumentos reais do salário mínimo.

Brasileiros antes na marginalidade, subocupados, sem formação profissional, enfim o contingente fora do mercado, passaram a movimentar a economia pelo aumento da renda familiar. Exemplos são inúmeros.

Dado divulgado esses dias mostra outra forma de comprovar a redução da desigualdade no país. A ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) anunciou que, nos últimos dez anos o transporte aéreo de passageiros cresceu em contraposição ao rodoviário interestadual, que recuou.

Aeroportos cheios de passageiros que nunca voaram na vida, coisa que perturbou inúmeras socialites, é sinal evidente que eles passaram a poder comprar bilhetes aéreos porque suas rendas melhoraram de nível.

Os números mostram que, enquanto em 2004 o transporte rodoviário respondia por 69% e o aéreo por 31% dos passageiros transportados, em 2014 a relação se inverte de 40% para 60% respectivamente. Em números absolutos o aéreo pula de 30 milhões para 83 milhões e o rodoviário despenca de 67 milhões para 54 milhões. Ajudou nessa revirada o sistema de crédito de corte mais popular.

Duas lições para o país. Uma que a desigualdade aumentou no período da ditadura, outra que a saída pelo desenvolvimento é a alternativa, quando inegavelmente a desigualdade reduz. Já a austeridade só tende a piorar as coisas como no Brasil atual e na Europa dos últimos anos.

É simples entender o bê-a-bá da desigualdade. Se a situação econômica permite criar empregos ou mantê-los e melhorar os níveis de renda do trabalho ou mantê-los, bola para frente. Se, ao revés, os empregos são destruídos e os níveis de renda reduzidos, pare a bola.


Fonte: Carta Maior

Segue o link do Canal no YouTube e o Blog
Gostaria de adicionar uma sugestão, colabore com o NÃO QUESTIONE

Este Blog tem finalidade informativa. Sendo assim, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). As imagens contidas nesse blog foram retiradas da Internet. Caso os autores ou detentores dos direitos das mesmas se sintam lesados, favor entrar em contato.

BRASIL: 'APENAS A ELITE DE SÃO PAULO E DO PAÍS TEM ACESSO À USP'


Aluno de geografia elaborou estudo sobre composição racial da instituição: pesquisa mostra que negros são maioria apenas entre trabalhadores terceirizados.

"A Universidade de São Paulo é branca, seus alunos e professores são brancos, os negros são minoria na USP. Os negros só são maioria entre os funcionários terceirizados da limpeza, segurança, alimentação, com condições de trabalho precárias, atraso de salários e outros ilegalidades denunciadas inúmeras vezes pelos funcionários e pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP", diz estudo que retrata a distribuição espacial de negros na Universidade de São Paulo.

"Onde estão os negros na USP?" publicado no blog "Desigualdades Espaciais", é um conjunto de mapas que apresenta a distribuição racial na instituição. Feito pelo estudante de geografia Hugo Nicolau, o estudo constatou que o número de negros na Universidade de São Paulo é ainda muito desproporcional em relação à sociedade em geral.

Através da análise de dados do vestibular da Fuvest, da Prefeitura de São Paulo e do IBGE, Nicolau distribuiu por cor a comunidade da USP no mapa da universidade.

Em 2010, 77% dos alunos que ingressaram na universidade eram brancos, 10% pardos, 10% asiáticos e apenas 2% eram pretos.

"Em todos os cursos, com exceção de geografia, têm mais asiáticos do que negros. Os asiáticos correspondem a 1% da população de São Paulo, os negros são 34%, e na USP a quantidade de negros, pardos e pretos, se equivale a de asiáticos", diz Nicolau.

Ainda que todas as universidades federais do país e algumas estaduais tenham implementado o sistema de cotas, a USP reluta em implementar o programa que reserva vagas para negros e conta apenas com uma bonificação na nota final.

O Inclusp e o Pasusp dão um acréscimo de 15% na nota da Fuvest para alunos do ensino público e 5% a mais se o estudante estiver incluído “no grupo PPI” - raça ou cor preta, parda ou indígena .

Para Nicolau, "um bônus de 5% no resultado final do vestibular é insignificante, pois não é suficiente para igualar o nível de quem teve um ensino fundamental e médio deficientes com quem sempre estudou nas melhores escolas".

"A minha conclusão é que essas políticas de inclusão são só para mostrar que existem, mas elas não funcionam. A relutância em implantar o sistema de cotas está no fato de ser uma universidade elitista, assim, apenas a elite de São Paulo e do país tem acesso à USP", conclui o estudante.

Ainda segundo o estudo, dos dez cursos mais concorridos do vestibular da instituição, seis deles não possuem nenhum negro. Para tentar mudar esse quadro, grupos como o Ocupação Negra e a Frente Pró-Cotas cobram da universidade um posicionamento positivo em relação ao sistema de cotas.

O Ocupação Negra, criado em 2015, realiza intervenções durante as aulas e a ideia, segundo Marcelo Moreira, é "primeiro fazer a denúncia do racismo institucionalizado e cobrar de maneira forte da instituição, dos professores e dos alunos de que a gente precisa das cotas raciais como uma ferramenta de ação afirmativa para modificar essa situação. Queremos cotas raciais, e quando falamos isso, a gente quer o ingresso de no mínimo 35% de alunos negros na USP."

Moreira critica o fato da universidade ter se tornado "um centro de poder e um privilégio para poucos". Para ele, "desde sua criação, a USP era destinada para uma elite branca, para que esta tivesse a dominância intelectual do nosso país. Nesses 80, anos isso só se cristalizou. Há uma forte resistência dessa elite, para que haja a manutenção desses privilégios".


Fonte: Carta Maior

Segue o link do Canal no YouTube e o Blog
Gostaria de adicionar uma sugestão, colabore com o NÃO QUESTIONE

Este Blog tem finalidade informativa. Sendo assim, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). As imagens contidas nesse blog foram retiradas da Internet. Caso os autores ou detentores dos direitos das mesmas se sintam lesados, favor entrar em contato.

BRASIL: AMIGO DE AÉCIO ENTERRA MÍDIA MINEIRA


Hoje falindo por não ter mais apoio do PSDB, o jornal Estado de Minas não fazia qualquer crítica, por mais leve que fosse, ao governo de Aécio Neves

Álvaro Teixeira da Costa, o principal dirigente dos Diários e Emissoras Associados em Minas Gerais, tinha razão. Se Aécio Neves e os tucanos não vencessem as eleições de 2014, as coisas iriam ficar feias para a empresa. Certo disso fez sua parte. Além da linha editorial chapa branca dos veículos do grupo - jornais Estado de Minas e Aqui, TV Alterosa e portal Uai - ter exaltado o PSDB e combatido sem trégua o PT e seus apoiadores, valendo-se de tudo quanto é esquema sujo, ele próprio se superou. Transformou uma das dependências da TV Alterosa em Comitê Tucano, usou a intranet para convocar funcionários a participar de atos de campanha pró-Aécio na Praça da Liberdade, pressionou e coagiu quem não rezasse por sua cartilha, além dele próprio ter estado presente ao ato.

Segundo consta, Álvaro foi o segundo a abraçar Aécio no palanque, logo após o dirigente estadual do PSDB. A situação se repediu meses depois, quando em plena manifestação contra a presidente reeleita, Dilma Rousseff, também na Praça da Liberdade, o dirigente Associado disputou, quase a tapa, o privilégio de ser o primeiro a abraçar Aécio. Mas, igual ao seu candidato, ficou em segundo lugar.

Tamanho empenho se explica: os 12 anos de governos tucanos em Minas Gerais foram determinantes para garantir uma razoável sobrevida ao grupo. Sem o dinheiro público injetado mensalmente na empresa pelos tucanos, dos quais não faltam acusações de prover de negócios escusos com a comercialização do nióbio de Araxá, o descalabro administrativo há muito seria do conhecimento público.


Salários atrasados e truculências

Fartos de todo tipo de pressão e enganação, os funcionários dos Associados denunciaram ao Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais que a empresa não tinha pago o 13º salário. A denúncia se somava a outras protagonizadas pela empresa em 2015: atrasos no pagamento de férias, tickets refeição, plano de saúde e nos depósitos do FGTS. Antes de decidirem pela paralisação, por 24 horas, na segunda-feira (28), os funcionários tentaram todo tipo de negociação. Não conseguiram quase nada. Receberam apenas 25% do salário devido e não têm data para receber o restante. A empresa se recusa a dialogar e tem se valido de truculência para tentar dissuadir as manifestações.

Pelo que se sabe, a crise nos Associados é muito mais ampla do que alguns imaginavam. O prédio da avenida Getúlio Vargas, em Belo Horizonte, devido a complicações com o extinto Banco Rural, está indisponível. O imóvel onde funciona a TV Alterosa, na avenida que leva o nome de Assis Chateaubriand, fundador do grupo, já foi vendido e a emissora em breve terá que desocupá-lo. A maioria dos bancos e financeiras se nega a fazer qualquer empréstimo ao grupo e o governo não é mais o do Aécio, para pagar a conta do descalabro administrativo dos herdeiros do que restou do império de Chateaubriand.

A credibilidade, principal ativo em qualquer empresa de mídia, também está em baixa nos Associados. As tiragens do Estado de Minas e do tablóide Aqui há muito vem minguando, com os anunciantes igualmente abandonando o barco. O parque gráfico da empresa, que chegou a ser o maior e mais moderno de Minas Gerais, hoje perde feio para o do concorrente O Tempo. Mas se os tucanos tivessem vencido as eleições, nada disso seria problema.



Roubalheira e privilégios

Já na década de 1950, o jornalista Samuel Wainer, fundador da Última Hora, um dos mais ácidos críticos de Assis Chateaubriand, dizia que os Associados viviam permanentemente com buracos no caixa. Mais ainda: enfatizava que os dirigentes Associados caracterizavam-se pela roubalheira e privilégios enquanto os funcionários iam de mal a pior. O segredo para tanto era o puxa-saquismo aos poderosos de plantão, o achaque e a perseguição aos adversários e inimigos e a falta permanente de escrúpulos. Receita que os herdeiros de Chateaubriand em Minas Gerais seguiram à risca.

Em 1964, os dirigentes dos Associados em Minas não foram apenas apoiadores do golpe civil-militar que derrubou o presidente João Goulart. Foram conspiradores de primeira hora. Tornaram-se tristemente célebres as reuniões entre políticos e empresários no edifício Acaiaca, no centro de Belo Horizonte, onde, na época funcionava a principal emissora de televisão do grupo, a Itacolomi.

Uma vez no poder, os dirigentes dos Associados perseguiram seus concorrentes na mídia - entre 1964 e 1970, quase uma dezena de jornais foram fechados ou fecharam em Belo Horizonte - além de terem pedido a prisão de centenas de jornalistas, intelectuais, sindicalistas, estudantes e militantes de esquerda. Esta, aliás, é uma das razões para o êxodo de jornalistas mineiros nas décadas seguintes ao golpe. É também uma das principais razões para a péssima qualidade, com as raríssimas exceções que se conhece, que passou a caracterizar o que sobrou da imprensa mineira de então.

Hegemônico durante a década de 1970, os desejos dos Associados foram prontamente atendidos pelos governadores biônicos da Arena, o partido de apoio à ditadura. O último deles, Francelino Pereira, bancou a construção do novo parque gráfico da empresa, que funciona na avenida Mem de Sá. Os Associados não pagaram. Francelino não cobrou e ficou por isso mesmo.



Apoio de Aureliano e Francelino 

Tancredo Neves, o avó do Aécio, nos dois anos em que esteve à frente do governo de Minas (1983-1985) também fez vistas grossas para a dívida, mais interessado que estava em chegar à presidência da República. Hélio Garcia, que assumiu o governo com sua renúncia para disputar o Colégio Eleitoral, chegou a estabelecer os termos da negociação: a dívida seria paga através de publicidade nos veículos do grupo. Igualmente não funcionou. Até porque o assessor especial de Garcia era ninguém menos do que o filho de um dos dirigentes dos Associados.

A dívida foi parar no Tribunal de Contas do Estado (TCE), mantida, claro, a sete chaves. Quando da briga política entre o governador Newton Cardoso (PMDB) e os Associados, em 1987, Newton foi alertado por assessores que poderia através dela dar um xeque-mate na empresa que fazia aberta campanha de difamação contra ele. Na época, Newton chegou a entrar em negociações com Gilberto Chateaubriand, que se julgava herdeiro do grupo, com o objetivo de comprá-lo. Mas a Justiça frustrou Gilberto Chateaubriand, ficando Newton Cardoso apenas com um percentual de cotas condominiais.

Quanto à dívida, preferiu também dar tempo ao tempo. Da parte dos Associados, o que garantiu sua sobrevivência na época, longe dos cofres públicos de Minas Gerais, foi o apoio publicitário que recebeu dos então ministro das Minas e Energia, Aureliano Chaves, e do vice-presidente do Banco do Brasil, Francelino Pereira, sem os quais certamente teria encerrado suas atividades.



“Se a rua Goiás não deu, não aconteceu"

Newton foi sucedido por Hélio Garcia que novamente não só fez vista grossa para a dívida dos Associados, como lhe garantiu régia publicidade. Se a empresa tivesse um mínimo de seriedade, teria aproveitado o momento para se reorganizar. Mas não. Os dirigentes continuaram levando vida de nababos, com a empresa e os funcionários no vermelho. A arrogância era tamanha que a frase mais repetida pelos dirigentes dos Associados, diante da mais leve crítica, era: “se a rua Goiás não deu, não aconteceu”. Rua Goiás era onde funcionava a sede da empresa, antes de se mudar em 2000, para o moderno e amplo prédio, agora indisponível.

No governo de Eduardo Azeredo, recentemente condenado a 20 anos de prisão pela atuação no Mensalão Tucano, os Associados voltaram aos “bons tempos”, mandando e desmandando em Minas Gerais. Convencidos como os próprios tucanos, que Azeredo seria reeleito, tiveram que amargar a vitória de Itamar Franco (PMDB). Fato que explica a permanente indisposição da empresa contra Itamar que respondeu reduzindo substancialmente a publicidade oficial para o grupo.

Diante da intransigência de Itamar, os Associados se valiam das verbas do amigo tucano Fernando Henrique Cardoso, então presidente da República, que nunca mediu esforços para destruir o seu criador político. Contavam também, desde aquela época, com o apoio do neto do Tancredo que à frente da Câmara dos Deputados, colocou-se à disposição para resolver os problemas envolvendo buracos no caixa da mídia brasileira, vide a aprovação da PEC que permitiu a presença de capital estrangeiro no setor, medida até então vedada pela Constituição.



Pagamento fixo garantia fluxo de caixa

Tão logo assumiu o governo de Minas, Aécio se transformou em “amigo de infância” dos dirigentes Associados. Almoços, jantares, noitadas e, obviamente favores, privilégios e publicidade farta sempre estiveram presentes no cardápio destes encontros. Um pagamento fixo chegou a ser estabelecido para garantir o fluxo de caixa da empresa, que o maquiava através de cadernos e publicações especiais. No Aécio governador nunca se viu, nem de longe, a mais leve sombra de mágoa com o que os Associados fizeram com seu avó, quando candidato ao governo de Minas. Para quem era muito jovem naquela época, basta lembrar que qualquer informação sobre a campanha de Tancredo nas páginas dos Associados só era publicada se fosse paga e, mesmo assim, a peso de ouro.

Como uma mão lava a outra, os Associados proibiram qualquer crítica, por mais leve que fosse, aos governos de Aécio Neves e de seu sucessor, Antônio Anastasia. Razão pela qual os mineiros não ficaram sabendo dos abusos, desmandos e descalabros cometidos pelos tucanos. Abusos que começam com o acobertamento do pai dos Mensalões no Brasil, denunciado em 2007, passam pela privatização da Cemig, através da empreiteira Andrade Gutierrez, envolve a construção da Cidade Administrativa - uma obra que consumiu mais de R$ 2 bilhões aos cofres públicos -, a entrega dos recursos minerais do Estado às empresas estrangeiras e culmina com a quebra do próprio Estado de Minas Gerais, com um rombo de mais de R$ 7 bilhões nas contas públicas. Isto sem falar em centenas de obras paradas, no desmantelamento das áreas da saúde e educação, na contratação, sem concurso, de quase 100 mil funcionários, além da demissão e perseguição de professores e na prisão de jornalista que não rezava pela cartilha aecista.

Num primeiro momento, os Associados, como a maioria da mídia tradicional brasileira, tentou jogar nas costas da presidente Dilma Rousseff a responsabilidade pela má situação financeira em que se encontra. Pediu auxílio aqui e acolá e foi atendido. Em várias oportunidades, o concorrente O Tempo, do empresário Vittorio Mediolli, autorizou que a sua empresa, a Sempre Editora, emprestasse papel para que o ex-grande jornal dos mineiros não deixasse de circular. Mediolli, inclusive, esteve perto de comprar o Estado de Minas, mas teria desistido da transação, pelo que se sabe, no momento em que Álvaro Teixeira da Costa tentou se incluir no pacote.



Silêncio cúmplice 

Também no meio acadêmico mineiro, onde se imagina que domine o livre pensar, a influência dos Associados sempre esteve presente. Lá, o que prevaleceu, todos estes anos, com as exceções de praxe, foi um silêncio cúmplice, quando não oportunista por parte de professores e alguns autointitulados pesquisadores, eternos candidatos e candidatas a intelectuais provincianos.

A única razão para se lamentar a situação a que os Associados chegaram é o sofrimento e a insegurança que centenas de funcionários e suas famílias estão experimentando. Fora isso, é no mínimo ridículo argumentar que o jornal Estado de Minas, por exemplo, constitua um patrimônio a ser preservado. Que patrimônio é esse que sempre trabalhou contra os interesses da maioria da população de Minas e do Brasil? Que patrimônio é esse que sempre esteve ao lado dos golpistas (do passado e de hoje) e caracteriza-se pelo desrespeito permanente aos seus funcionários e aos cidadãos?

Para cúmulo da ironia, quando a direção dos Associados aciona, como fez nesta terça-feira (29) o batalhão de choque da Polícia Militar para intimidar funcionários em greve que reclamam pacificamente os seus direitos trabalhistas, das telas dos cinemas em Belo Horizonte, Chatô, em cartaz, contempla o que pode ser o capítulo final do império que criou.

Como toda crise oferece também oportunidades, está na hora dos funcionários dos Associados aproveitarem a reunião intermediada pelo Ministério do Trabalho, marcada para esta quarta-feira (30), para exigir transparência e conhecer qual é realmente a situação da empresa. Só a partir daí, poderão pensar em soluções cabíveis para receberem o que lhes é devido.

A intermediação é fundamental, porque a atual direção dos Associados não mais reúne condições para seguir dando as cartas, pois ela é o problema. Fora isso, as alternativas não são nada animadoras: tapar o sol com a peneira ou continuar capengando à espera que Aécio ou alguém do seu quilate seja eleito e restaure os “anos dourados”. Pelo visto, quem fizer tal aposta vai esperar sentado. 


Fonte: Carta Maior

Segue o link do Canal no YouTube e o Blog
Gostaria de adicionar uma sugestão, colabore com o NÃO QUESTIONE

Este Blog tem finalidade informativa. Sendo assim, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, exercita-se das prerrogativas constantes dos incisos IV e IX, do artigo 5º, da Constituição Federal. Relembrando os referidos textos constitucionais, verifica-se: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" (inciso IV) e "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença" (inciso IX). As imagens contidas nesse blog foram retiradas da Internet. Caso os autores ou detentores dos direitos das mesmas se sintam lesados, favor entrar em contato.