segunda-feira, 1 de junho de 2015

ESTUDANTES DOS EUA NAS ESCOLAS DE MEDICINA DE CUBA


Cerca de 250 estudantes norte-americanos transitam pelas escolas de Medicina e constroem com sua presença uma convivência proveitosa entre as duas nações.
Já parecem cubanos pelo efeito do sol sobre a pele. À simples vista só os delata o inconfundível acento gringo em sua fala, por muito que os cubanismos mais rotundos façam parte habitual dos seus diálogos.

Cerca de 250 estudantes norte-americanos transitam pelas escolas de Medicina e pelo sistema sanitário desse arquipélago desde o ano 2000 e constroem com sua presença uma das páginas mais reveladoras de convivência proveitosa entre ambas as nações.

Os primeiros doutores surgidos de um programa sonhado entre o Caucus Negro Congressional (CNC) do Congresso estadunidense e o ex-presidente Fidel Castro, e canalizado depois pela organização Pastores pela Paz (IFCO), já estão voltando para as comunidades do seu país, enquanto que nas aulas caribenhas ainda se formam várias dezenas e a cada ano chegam novos alunos.

Na interação são quebrados preconceitos e estereótipos. Assumirem-se iguais e diferentes parece o ensino maior.

Cassandra

O ritmo asfixiante da havaneira rua Monte desaparece enquanto se sobe as escadas até a casa. Na sala se entretém com a avó o desperto Atuey Fénix (cujo nome de aborígene rebelde os pais registraram sem H, para que soe foneticamente igual em espanhol e inglês) enquanto o computador reproduz antigos capítulos da série Vila Sésamo.

É a paisagem do lar de Cassandra Cusack Curbelo, uma das poucas cubano-americanas beneficiadas com bolsas gratuitas para formar-se doutora no país de sua mãe.

"Sou bastante cubana para não ser extraterrestre aqui, mas bastante americana para que me vejam como uma louca”, diz sorrindo enquanto prepara para Atuey hambúrgueres vegetarianos feitos de grãos moídos.

Nascida em Hialeah, mas criada em Chicago, aos 30 anos Cassandra decidiu sair do seu trabalho de relações públicas em uma organização de ativistas.

"Eu queria fazer algo sustentável. Os conhecimentos da Medicina nunca estarão fora de moda nem se fossilizarão”, recorda enquanto evoca um amigo da família que lhe facilitou obter uma vaga entre as capacidades outorgadas aos grupos de solidariedade pelo Ministério de Relações Exteriores de Cuba.

Ao chegar, em 2008, a situaram como todos os estadunidenses na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), em Praia Baracoa, a oeste de Havana ("no fim do mundo”, gargalha Cassandra) e daí passou a completar matérias no hospital mais próximo, Salvador Allende, ainda nomeado segundo a virgem catalã de seus construtores: "La Covadonga”.

"Não gosto da Medicina elitista e, nos Estados Unidos, os médicos quase todos são brancos, de famílias ricas, que estudam em idades precoces, não querem ter trabalho e, geralmente, não te escutam, nem te olham, nem te tocam e cobram 100 dólares só para aparecer (…). Encanta-me a forma como falam os médicos daqui. Meus professores são muito naturais e amistosos”, assegura.

"O programa não obriga a fazer nada a ninguém”, responde Cassandra à pergunta sobre a possível exigência de um gesto político em troca do seu título. Não seria extraordinário nem raro para os costumes de Cuba: pedir, como pagamento pela ensino gratuito, um tempo de dedicação a uma zona desfavorecida. Mas Cassandra insiste em negar.

"Entre nós há pessoas que não interessa servir ninguém. Dizem: saio daqui, faço minha residência e depois "o bilhete” [a carteira]. Mas outros, a maioria, temos sonhos. Eu quero montar com amigos uma clínica em Nova Orleans, e outros pensam em Detroit e, inclusive, temos pensado em colocar uma clínica em um terceiro país pobre, pela qual passemos em nossas férias e possamos ajudar um pouco”.

Joanna

Quem a conheceu em Havana a recorda por seu espírito inquieto e vocação de serviço. Foi uma ativa e reconhecida estudante em seus anos cubanos. Portanto, não surpreendeu seus professores e amigos saberem que apenas conseguiu entrar no difícil sistema de especialidades médicas do seu país, Joanna Mae Sauers se alistou como voluntária para combater o Ebola na África.

Ao Cooper Hospital, de Monróvia, na Libéria, chegou Sauers depois de tratar de inserir-se na brigada médica cubana que trabalhou lá.

"Estive interessada em trabalhar voluntariamente com os doutores cubanos, mas me disseram que não estavam recebendo nenhum graduado da Elam, dadas as circunstâncias da epidemia. Sem dúvidas, é o exemplo deles e a minha experiência em Cuba o que me inspirou a fazer este trabalho”, assegura direta em nossa troca de mensagens.

A ideia de integrar-se a uma brigada cubana não era nova para Joanna, aluna de especialistas que viajaram para lugares tão diferentes, como Paquistão, Angola, Venezuela ou Haiti, e em alguns casos inseriram médicos nativos graduados em Cuba como parte da sua "missão”. A ela, ademais, a proximidade com o arquipélago caribenho chegou desde sempre através da solidariedade.

"Escutei sobre o programa por um amigo e solicitei as bolsas através do IFCO/Pastores pela Paz. Existem alguns requisitos básicos para entrar, por exemplo, um pagamento pela solicitação, uma entrevista e uma orientação. Primeiro, deve ser aprovado pela organização e depois aceito dentro do programa pela Escola. O que se busca, sobretudo, são solicitantes que tenham uma provada dedicação para servir aos necessitados”.

"A maioria das pessoas que me conhecia nos Estados Unidos se surpreenderam muito quando souberam que eu iria estudar em Cuba. Não sabiam que fosse possível e se assombravam mais quando descobriam que o programa é uma bolsa completamente gratuita, garantida pelo governo cubano. Todos ficavam intrigados de que uma oportunidade assim existisse”.

Mae Sauers viveu no campus da Elam quase como todos os estudantes estrangeiros de primeiro a terceiro ano, mas logo buscou alugar perto do hospital "La Covadonga”. Conhecer a fundo a cultura dos cubanos e também os valores de outros amigos, provenientes da África, América do Sul e do Caribe, foi para ela uma aprendizagem tão importante quase como o próprio treinamento médico..

"Não havia nada melhor do que visitar meus amigos nas províncias e compartilhar com eles uma boa comida típica cubana, sobretudo, esse prato de "yuca” [tubérculo] com molho, arroz com feijão, banana frita, salada e porco assado… Me dá água na boca quando penso nisso!”, confessa.

Instrumentos para a normalização

Cassandra e Joanna são, como seus compatriotas graduados e por graduar, pequenas superfícies de interação entre dois países com um antigo enfrentamento ideológico. Elas vivem a experiência de conviverem sem traumas e mostram que é possível manter relações de mútuo benefício.

Por exemplo, o fechado sistema médico estadunidense (qualificado por muitos como endogâmico e elitista) começa a aceitar os diplomados em Cuba, como atesta Joanna, um dos mais recentes 13 estadunidenses da Elam que passaram nas provas para cursar especialidades médicas em seu país.

"Para mim, não foi particularmente difícil conseguir a residência nos Estados Unidos”, assegura Mae Sauers. "Tive que seguir os passos dos exames USMLE, que é exigido para qualquer estudante de Medicina e requer conhecimentos rigorosos. Fiz tudo o que pude para conseguir tanta experiência clínica nos Estados Unidos, como a que pude experimentar em Cuba. Isso supôs passar boa parte das minhas férias de verão em observações e rotações clínicas no meu país. Tive muitos programas de especialidades competitivas interessados em mim como bolsista, porque a Elam já é reconhecida pelos vários graduados que regressaram antes do que eu, y aqueles que conhecem sobre nós e sobre o sistema médico cubano valorizam muito a nossa formação”.

Essa percepção positiva também se nota, inclusive, no Estado da Flórida, acredita, por sua parte, Cusack Cuberlo, que afirma conhecer hospitais nortistas interessados em captar doutores como ela. "Eu sei do Baptist Hospital e do Miami Jackson”, revela.

Jogando essas cartas, a maioria dos nortistas retornam ao terminar o sexto ano, de dezembro de 2014 para cá a meio caminho entre receosos das promessas e esperançosos com a possibilidade de contar por fim com sua própria embaixada.

"Eu como americana sou muito cínica, e digo que enquanto nada esteja escrito, nada está acontecendo, e pode se falar tudo o que se fala, mas tudo pode ser apenas palavras”, se arrisca a dizer Cassandra: "Esta é a virgem do Caribe e todos os lobos estão salivando para entrar”, acrescenta.

"Penso que a aproximação é útil para os dois países”, termina Joanna. "Cuba é um exemplo para o mundo em atendimento e educação médica de alto nível. Os Estados Unidos e boa parte do mundo têm uma necessidade desesperada de doutores para a atenção primária. Como graduados desse programa, nós podemos prover serviços de saúde para os necessitados e compartilhar nossa experiência com o restante do mundo”. Da experiência sai também um novo tipo de médico. E uma nova fonte de interação.

Fonte: Carta Maior

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NOS SUBTERRÂNEOS DA PEDOFILIA



Uma investigação ainda em andamento revela 1.432 praticantes

Os resultados iniciais de uma investigação sobre a pedofilia no Reino Unido revelam a atividade de uma nebulosa rede, da qual, segundo dados ainda sujeitos a confirmação definitiva, participariam 1.432 cidadãos, entre eles, 76 políticos, 43 empresários ou executivos da indústria musical, e 175 oriundos da televisão, cinema e rádio. Iniciada no ano passado, a Operação Hydrant, dirigida por Simon Bailey, já colocou atrás das grades algumas personalidades como, por exemplo, o famoso publicista Max Clifford. Segundo Bailey, há centenas de milhares de vítimas. Somente neste ano, o número de denúncias de agressões sexuais aumentou em 71%, em relação a 2012.

Entre as 116 mil denúncias previstas para 2015, 52.446 remontam aos anos 1970, 1980 e 1990. Como disse ao The Guardiano deputado trabalhista Tom Watson: “Por gerações fechamos os olhos para o escândalo de abuso infantil na Grã-Bretanha”. Em 2012, Watson foi o primeiro a delatar a rede pedófila “ligada ao Parlamento de Westminster, e ao número 10 de Downing Street, o endereço de premier”.

De fato, em março deste ano, veio à tona outra bomba para macular a imagem da nação. Em entrevista ao Mail on Sunday, um deputado trabalhista contou que Margaret Thatcher condecorou o deputado liberal Cyril Smith, isso embora corressem rumores de que ele abusava de menores. Por coincidência, as investigações sobre o condecorado cessaram. Ele morreu tranquilo, em 2010. Como, aliás, a estrela midiática da BBC, Jimmy Savile, durante décadas um “predador sexual” de crianças, inclusive daquelas incapacitadas nos hospitais por ele bondosamente financiados. Savile morreu enquanto dormia, em outubro de 2011.

Sentada a uma mesa do elegante bar do Hipódromo de Longchamp, em Paris, a britânica Victoria Haigh avalia: “Nada vai mudar em relação aos pedófilos no Reino Unido”. Jóquei campeã e treinadora de cavalos, Victoria, de 43 anos, é vítima da rede de pedofilia britânica. Perdeu a custódia da primeira filha, agora com 11 anos, para o então marido, David Tune. Motivo: acusou-o de abusar da menina, então com 4 anos. Ao tentar se aproximar da filha em um estacionamento, foi condenada a três anos de prisão, em dezembro de 2011. Ficou presa por nove meses. Voltou à cadeia quando convidou a filha para o batismo da irmã, filha de outro casamento, Sapphire.

Victoria mudou-se para Paris. Antes de tudo, diz entre goles de San Pellegrino: “Queria protegê-la, embora eu tenha feito questão que Sapphire viesse ao mundo na República da Irlanda”. A filha de 4 anos, ruiva de olhos azuis, desenha ao nosso lado. Victoria diz sentir-se uma “refugiada”. Contratou uma advogada francesa para defendê-la na Corte Europeia. Objetivo: exigir o direito de se manifestar no Reino Unido. “A Justiça Britânica tratou o meu caso como se fosse aquele de um divórcio no qual se disputava a custódia de nossa filha.” No entanto, a filha mais velha, conta Victoria, “me falava que estava sendo abusada pelo pai”. À época, Victoria contestou o sistema jurídico britânico. Grave ofensa à Justiça do UK, que cuidou de se precaver. Resultado: foi considerada “mentalmente instável” e, assim, a filha mais velha voltou ao pai. As acusações de Victoria nem sequer foram investigadas.

Como apurou uma reportagem de CartaCapital em novembro de 2014, além de políticos e celebridades, estão envolvidos também juízes, advogados, psiquiatras e assistentes sociais. Os subterrâneos da rede pedófila britânica são sinuosos. E, como diz Victoria, “as pessoas dispostas a jogar luz sobre eles são silenciadas”. No caso de Victoria, fonte também da matéria de 2014, a única opção era fugir do Reino Unido. Foi Ian Josephs, empresário de 83 anos formado em direito, quem a ajudou a ir para a República da Irlanda. Baseado no Sul da França, Josephs criou uma campanha por ele alcunhada Adoção Forçada. Objetivo: oferecer ajuda financeira a mães grávidas para sair do UK.

Josephs disse a CartaCapital: “Mais de 25 mil crianças anualmente são retiradas do poder de pais britânicos, a maioria dos quais não cometeu crimes”. Acrescentou Josephs: “O sistema vale mais de 2 bilhões de libras por ano”. Essa soma, arrecadada graças às audiências em cortes secretas no Reino Unido, é repartida entre juízes, psiquiatras “domesticados” e assistentes sociais. 

Eis a questão: como definir o pedófilo? Normalmente, o adulto a abusar sexualmente de alguém com menos de 16 anos. Essa definição seria validada pelo fato de em vários estados dos EUA adolescentes poderem casar aos 16. Segundo o professor Michael Seto, psicólogo forense citado por Andrew Gilligan, do Daily Telegraph, pedófilo seria aquele com interesses sexuais por crianças pré-púberes, isto é, com menos de 12 anos. Atua em escolas, estabelecimentos de ajuda a crianças, centros religiosos etc. Essa escala etária parece um pouco rígida, visto que o amadurecimento das crianças varia. Em 1960, Josephs trabalhou no caso de uma mãe que perdeu o filho para a assistência social. O menino, de 12 anos, com QI de 150, elevadíssimo, estava recluso em uma escola quatro vezes mais cara que Eton, a escola privada de maior prestígio. Josephs indagou ao menino se o ensino era bom. “Péssimo.” Há algo de bom? “Sim, ganho dinheiro, e bastante, dormindo com os professores.” 

Apologistas da pedofilia não escasseavam no mundo acadêmico em 2014. Seminários em Cambridge questionavam se a pedofilia não seria algo “normal”. Gilligan cita o professor da Universidade de Essex, Ken Plummer, o qual escreveu, em 1981: “Dizem aos pedófilos que não passam de sedutores e estupradores de crianças... Dizem a eles que crianças são puras e inocentes, desprovidas de sexualidade...” Em 2012, Plummer escreveu: devido ao fato de a homossexualidade provocar menos “pânico”, “agora o novo pária é o pedófilo, o mais recente diabo popular...” Plummer ainda é apresentado no site da universidade como professor emérito. 

Fonte: Carta Capital

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BRASIL: MARCHA DAS VADIAS EM SÃO PAULO PEDE LEGALIZAÇÃO DO ABORTO


 Ato que começou no vão do Masp, na avenida Paulista buscou pauta por conta do conservadorismo do congresso, que não debate o assunto

Centenas de mulheres participaram no sábado 30 da 5.ª Marcha das Vadias em São Paulo, reivindicando principalmente a legalização do aborto e o fim do encarceramento feminino. Segundo as manifestantes, é preciso ampliar o debate sobre ser ou não favorável ao aborto, entendendo que a criminalização não impede que as pessoas continuem abortando o que implica no comprometimento da saúde da mulher.

"A Marcha das Vadias luta basicamente contra a criminalização e culpabilização das mulheres pela violência que elas sofrem, em especial, a sexual. Este ano, especificamente, resolvemos pautar a questão da legalização do aborto porque temos um congresso extremamente conservador e que já expressou que isso não vai entrar na pauta. Estamos aqui para dizer que vai", disse a psicóloga Isabel Bernardes, integrante do movimento, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo ela, cada mulher tem o direito de decidir sobre fazer ou não um aborto. "E mais do que isso. É necessário uma real política de efetividade dos direitos sexuais e reprodutivos para que o aborto fosse, de fato, a última opção e não um remédio duro de tomar"

Isabel Bernardes entende que legalizar o aborto não é obrigar as mulheres a fazer aborto. “Ninguém vai ser obrigado a fazer o aborto porque está legalizado. Deve-se deixar as pessoas que não querem, não podem ou não acreditam nesse projeto de vida, [dar à luz] decidir não seguir adiante com uma gravidez. Legalizar o aborto é dar oportunidade para quem não pode pagar [ fazer], porque quem pode pagar faz, mas sem risco de morrer", destacou a psicóloga.


Uma das manifestantes, de 31 anos de idade, que chamamos de Joana para preservar a sua identidade, disse à reportagem ter feito dois abortos. O primeiro, quando tinha 23 anos. Para isso, segundo ela, mesmo sabendo dos riscos, comprou por iniciativa própria um medicamento abortivo que custa em torno de R$ 100 ou R$ 200 cada comprimido.

"Utilizei a medicação na minha casa e segui as instruções de cartilhas que encontrei na internet. Usei, aguardei um tempo para fazer efeito, e tive hemorragia. Nas duas vezes eu estava entre sete ou oito semanas [de gravidez]. E eu sabia que teria que procurar um hospital depois. Mas eu sabia disso porque eu tive acesso à informação. Nas duas vezes passei por curetagem [no hospital]".


Joana disse ainda que, no hospital, não falou ao médico sobre ter provocado o aborto por temer consequências. "Não falei nada. Nem que estava grávida. Contei que tinha sofrido uma hemorragia e que estava com dor".

"É urgente no Brasil legalizar o aborto. As mulheres morrem porque elas não têm acesso à informação, praticam o aborto de forma absolutamente sem informação. Muitas mulheres morrem porque tomam o remédio e depois não procuram o hospital para fazer a curetagem. Outras fazem de forma pior, perfurando o útero com agulha de tricô. Ou tomam drogas das quais não sabem a origem, risco que eu também corri”, destacou. Para a manifestante, o ideal é que toda mulher pudesse fazer o aborto pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

"As mulheres pobres correm muitos riscos. Quem tem R$ 4 mil ou R$ 5 mil vai para Moema [bairro de classe média alta de São Paulo] e faz da forma mais segura e limpa possível. E sai de lá tranquila. Quem não tem ou vai parar em uma clínica sem nenhuma estrutura ou vai parar na mão de uma curiosa ou vai tentar fazer como eu fiz, em casa e sozinha, correndo muitos riscos porque eu tenho a absoluta convicção de que a maioria das mulheres não tem acesso a essa informação que eu tive na internet", disse Joana.


Depois da concentração no vão-livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) onde confeccionaram cartazes e entoaram cânticos sobre o aborto, entre eles, um que fazia referência ao Uruguai, com o seguinte refrão: “O Uruguai já legalizou, Brasil, a sua hora chegou”, as manifestantes seguiram em caminhada pela Avenida Paulista e Rua Augusta, com destino à Praça Roosevelt, no centro da cidade. Lá, ao encerrar o ato, elas sentaram em círculo e cada uma deu um depoimento sobre o aborto.

As manifestantes estimaram que o ato reuniu cerca 2 mil pessoas. A Polícia Militar calculou em torno de 100 pessoas.

Eduardo Cunha recadinho para o senhor #MarchaDasVadias #SPpic.twitter.com/XK3F0XJo6T— Douglas Chagas Reis (@WhyDouglasReis) 30 maio 2015


Fonte: Carta Capital

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BRASIL: O FRACASSO MARCHA PELA LIBERDADE


Ao centro, Kim Kataguiri, líder da “Marcha pela Liberdade”. O jovem está acompanhado dos deputados Eduardo Bolsonaro (filho de Jair) e pastor Marco Feliciano | Divulgação)

Liderada por Kim Kataguiri, a marcha que pretendia mobilizar 100 mil simpatizantes, atrair a adesão popular ao longo da caminhada e ser recepcionada por caravanas vindas de outras cidades não chegou a reunir 300 pessoas na rampa do Congresso, onde foi recebida apenas por figuras do porte de Marco Feliciano, Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado

Por: Ricardo Kotscho

Eles programaram uma entrada triunfal em Brasília, esperando reunir milhares de pessoas nesta quarta-feira, ao final da “Marcha pela Liberdade”, organizada pelo Movimento Brasil Livre, que saiu de São Paulo e levou 33 dias para percorrer 1.175 quilômetros a pé, com o objetivo de protocolar um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

A Polícia Militar do Distrito Federal preparou uma operação especial para receber a multidão em frente ao Congresso Nacional. Coordenador da operação, o tenente coronel Frederico Santiago levou uma tropa de 150 homens e deixou de prontidão outros 2 mil militares. Quando a grande manifestação chegou, havia um PM para cada dois marchadeiros, segundo relato do repórter Leandro Prazeres.

“Nossa estimativa foi feita com base no que as organizações passaram para a Secretaria de Segurança Pública. Não entendo nada de política, mas não sei como eles chegaram a esse número. De qualquer forma, estamos a postos”, anunciou o tenente coronel Santiago.

Liderada por um pivete, a marcha que pretendia mobilizar simpatizantes, atrair a adesão popular ao longo da caminhada e ser recepcionada por caravanas vindas de outras cidades não chegou a reunir 300 pessoas na rampa do Congresso, onde foi recebida apenas por alguns líderes da oposição do porte de Carlos Sampaio, Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado.

Foi um monumental fracasso, que só não acabou ignorado pela mídia porque alguns coordenadores do grupo conseguiram ser recebidos pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que este ano já havia recusado sumariamente outros três pedidos de impeachment, mas prometeu encaminhar o pedido do MBL “para análise técnica” da sua assessoria jurídica.

Quando saíram de São Paulo, os marchadeiros de Kim Kataguiri, estudante de 19 anos, sonhavam alto, como ele anunciou pelo “Facebook: “No dia 27 de maio ocupemos a frente da Câmara para que os congressistas se sintam pressionados a atender a nossa pauta”.

O MBL logo ganharia a adesão do deputado suplente Roberto Freire, presidente do PPS, que escreveu em seu Twitter: “Vamos mobilizar todos os partidos de oposição e oposicionistas de todos os partidos para a Marcha e o ato em BSB”.

Nada disso aconteceu. Nenhum grande cacique tucano foi visto dando apoio à tragicômica aventura dos marchadeiros. Só apareceu uma faixa empunhada por anônimos atrás da mesa onde Cunha se reuniu com os lideres do MBL, em que se lia: “O PSDB saúda a Marcha pela Liberdade – Vocês são exemplos da cidadania e esperança para um Brasil livre da corrupção”.

Pois não é que poucas horas depois, por ironia do destino, dando um cavalo de pau na votação do dia anterior, Eduardo Cunha conseguiu aprovar a emenda que coloca na Constituição o financiamento privado de campanhas eleitorais? Parece ficção, mas é real, caros leitores.

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BRASIL: VOCÊ FICOU SABENDO? – PM CHUTA E SOCA GAROTA NA USP POR CAUSA DE UMA MOCHILA – COM VÍDEO


Policial descontrolado agride mulheres em ato da USP (reprodução/vídeo)

PM agride covardemente uma garota em ato da USP. Vídeo divulgado mostra agente agredindo jovem por conta de uma mochila. Além de chute e soco, policial descontrolado disparou spray de pimenta nos olhos de outras manifestantes

Uma manifestação de estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) terminou em confronto com a Polícia Militar. O ato fez parte do Dia Nacional de Paralisação, protestos organizados pelas centrais sindicais contra o ajuste fiscal e projeto de lei que trata da regulamentação dos trabalhadores terceirizados no país. Uma pessoa foi presa e houve feridos.

Depois de uma concentração, no cruzamento da rua Alvarenga com a Afrânio Peixoto, na zona sudoeste, os manifestantes tentaram bloquear o acesso à Rodovia Raposo Tavares, no sentido interior-capital. Houve intervenção da Polícia Militar, que, segundo o Sintusp, usou bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.

Garota covardemente agredida

Um vídeo divulgado [assista abaixo] nesta sexta-feira (29) mostra um policial militar dando um soco no rosto de uma jovem que participava de ato.

A agressão aconteceu porque a garota, que estava desarmada, se recusou a soltar a mochila de um jovem que havia sido detido, impedindo que fosse tomada pelo policial.

Antes disso, ele havia jogado gás de pimenta em seu rosto. Por fim, deu-lhe um chute que a jogou ao chão.
Mais agressões

O fotojornalista Danilo Verpa, da Folha de S.Paulo, recebeu golpes de cassetete enquanto cobria a manifestação, e foi impedido de registrar o Boletim de Ocorrência. Ele havia acabado de registrar a prisão de um manifestante por dois agentes. Quando se identificou como repórter, um policial teria gritado: “Sai, imprensa filha da puta”.

O estudante de Ciências Sociais, Carlos Alberto dos Santos, de 27 anos, ferido na cabeça, foi detido e até por volta das 13h ainda prestava depoimento no 34º Distrito Policial (DP). O diretor do Sintusp, Magno de Carvalho, informou que pelo menos dez pessoas ficaram feridas. Esse número não foi confirmado pelo 34º DP, que registrou apenas um ferido.

Por meio de nota, o Sintusp argumentou que a “manifestação ocorria pacificamente, quando a força policial reprimiu o ato”. O comunicado revela que, entre os feridos, estavam duas mulheres e que uma delas recebeu socos no rosto, foi jogada no chão e pisoteada.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP), informou que o secretário Alexandre de Moraes determinou o afastamento de um dos policiais flagrado atirando da viatura. “O procedimento em questão foi totalmente irregular”, diz o comunicado, acrescentando que a conduta dos policiais será objeto de apuração.

Por meio da nota, a secretaria alegou que a PM está atuando nas várias manifestações para reduzir o impacto dos atos na rotina das pessoas e que, em especial, neste episódio foram usados “os meios necessários que o cruzamento não fosse fechado pelos manifestantes”.

Vídeo:

Fonte: Agência Brasil e Carta Capital

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BRASIL: PUC, BISPOS REJEITAM MICHEL FOUCAULT - COM VÍDEO



Após atingir o mérito de hospedar uma cátedra universitária, com áudios do filósofo Michel Foucault, o cardeal e os bispos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo rejeitaram o material com a justificativa de que os pensamentos do francês conflitariam com os da instituição católica

Fonte: Carta Capital

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BRASIL: BARRA DA TIJUCA A FRONTEIRA DO VALE-TUDO


Nas varandas gourmets se promovem churrascos e panelaços com vista para o mar. Mas o sistema de saneamento básico é o mais deficiente da cidade.

No documentário Carioca era um rio, de Simplício Neto, um dos entrevistados no filme, o biólogo Mario Moscatelli, observa: “se perguntarem a um carioca onde fica algum dosshoppings centers da cidade todo mundo sabe. Se indagarem onde é a Lagoa de Camorim ou o Rio Carioca duvido que alguém consiga responder”.

Isto ocorre, entre as razões que contrapõem ignorância e uma lamentável cultura de inutilidades, porque o Carioca, rio que virou gentílico dos habitantes da cidade do Rio de Janeiro, hoje é um canal de esgoto submerso que atravessa, tapado, diversas ruas e avenidas para desaguar, imundo, na Baía de Guanabara.

Infelizmente, o rio é também a história do desenvolvimento urbano nas grandes cidades brasileiras que está se repetindo, de modo contundente, agora, na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes, os bairros que replicam as contradições da Cidade Maravilhosa, por natureza, e metrópole caótica, pela mão do homem.

"O Carioca hoje é uma cloaca, uma língua negra", constatam historiadores, engenheiros e arquitetos figurantes do filme. Um deles, o historiador Milton Teixeira, lembra: "O rio é símbolo da identidade dos cariocas, mas é também a metáfora da ocupação desordenada da cidade, de políticas públicas equivocadas, da especulação imobiliária que está no gênesis da fundação do Rio e agora é o fruto da lastimável história do saneamento da cidade".

A observação leva uma moradora da Barra da Tijuca a comentar: "Daqui a uma, duas gerações, quem vai saber o que era a Lagoa de Marapendi ou a Lagoa da Tijuca?". Ninguém nem vai lembrar. Atulhadas de lixo e poluídas pelo esgoto, elas possivelmente estarão aterradas.

Ocupada de forma desordenada, a Zona Oeste do Rio concentra quase metade da população do município e não para de crescer. Única região costeira da cidade ainda com espaço disponível, é a última fronteira urbana da capital fluminense. Todos os grandes investimentos imobiliários estão concentrados lá. Os imóveis têm um dos metros quadrados mais valorizados do país, mas são atendidos pelo sistema de saneamento básico mais deficiente da cidade. 

Os candidatos a proprietários apostam na rentabilidade imediata do investimento, mas não se preocupam em pedir a quem vende que entregue também esgoto em funcionamento. Nas varandas gourmets se promovem churrascos e panelaços com vista para o mar cada vez mais poluído.

Alguns desses empreendimentos constituem bairros planejados, inclusive com esgotamento sanitário. É o caso do Ilha Pura, que expulsou 600 famílias da Vila Autódromo. Muitos moraram ali por mais de trinta anos, com título de posse da terra, mas nunca tiveram rede de esgoto. O quadro se agrava porque estado e município não têm planejamento coordenado para atender o desenvolvimento da Barra, Recreio e Jacarepaguá. Dos bairros mais afastados da Zona Oeste, como Campo Grande, então, nem se fala.

"Existe muito pouco de planejamento coordenado e articulado para atender o futuro da região ou de qualquer outra parte da cidade. O que se verifica são respostas do poder público a pressões episódicas de grupos de interesses que acabam monopolizando as ações", opina o vice-presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-Rio), Pedro da Luz Moreira. "Há tempos nós defendemos que as ações de plano e projeto devem se antecipar, direcionar e aglutinar esforços para construir uma cidade mais justa e mais inclusiva na qual todos devem ter acesso às infraestruturas urbanas".

Na visão de arquitetos e urbanistas, ações de melhoria no saneamento melhoram a qualidade de corpos hídricos, que melhoram as condições de vida, que, por sua vez, impactam no valor da terra urbana. A perversidade política sacramentou que esgoto custa caro e não rende voto, mas a contabilidade não leva em conta que cada real investido em saneamento básico economiza outros quatro reais que seriam gastos na rede pública de saúde, estimam os sanitarista da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Um estudo da arquiteta e urbanista Gabriela Silva já apontava, em 2006, para a ocupação da Barra da Tijuca, desde os anos 70, como um espaço urbano para grandes investimentos do capital público, mas, sobretudo, do privado. As diretrizes da expansão, três vezes mais acelerada do que as de outras regiões da capital fluminense eram baseadas, especialmente, nos interesses dos grandes incorporadores imobiliários, apesar da ausência de saneamento ambiental que provocaria, diz o trabalho, problemas ambientais e conflitos socioambientais.

No começo do processo de ocupação, os investimentos em infraestrutura eram balizados pelo Plano Piloto do arquiteto e urbanista Lúcio Costa. O projeto ordenava o uso do solo de acordo com uma visão global que articulava o novo centro de negócios da Barra da Tijuca ao centro histórico do Rio e ao novo centro de Santa Cruz, o bairro mais populoso da cidade. A Barra era, então, vendida como a nova zona sul para atrair as camadas de média e alta renda. A concentração de terras nas mãos de apenas quatro grandes proprietários acelerou a especulação com a ajuda do governo federal de então, do ditador-general João Batista Figueiredo.

Os investimentos em infraestrutura, com recursos do Sistema Financeiro de Habitação (SHF), nas décadas de 70 e 80, beneficiaram a produção imobiliária das grandes incorporadoras. A melhoria da rede viária na região permitiu a construção de grandes condomínios residenciais. Implantou-se uma infraestrutura de distribuição de energia elétrica, de abastecimento de água e de gás. Mas o problema do esgotamento sanitário foi resolvido com a entrega da construção de estações de tratamento de esgotos aos próprios condomínios.

A maioria deles fez pouco ou quase nada. Os condôminos, hoje, habitam em apartamentos superconfortáveis, mas frequentam uma praia com cocô e bicho de pé. Se queixam, é claro, mas a solução só começou a aparecer mais recentemente, depois que o estrago estava feito, e em uma velocidade que não acompanha o crescimento da região.

Pior: a política de saneamento estabelecida pela Prefeitura do Rio para atender a demanda, denunciam especialistas, está em desacordo com o Plano Nacional de Saneamento Básico definido pela lei 11.445/2007 e com a Constituição, que reservam ao poder público a atribuição de organizar e assegurar a prestação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Um dos princípios fundamentais dos serviços de saneamento básico deve ser a universalização do acesso. Sem controle social e orientada por um plano municipal que não contempla essas diretrizes, as intervenções reforçam a desigualdade e privilegiam uma concepção de serviço como mercadoria e não como direito de cidadania.

"Para ampliar o sistema de esgotamento de uma área da Barra da Tijuca, a Prefeitura do Rio apoiou o governo do estado na realização de uma parceria pública-privada (PPP) com incorporadores imobiliários. Para a ampliação e gestão do sistema de esgotamento da Zona Oeste está sendo feita uma concessão onerosa de 25 anos a um grupo privado. Está, assim, se configurando um mosaico de ações e intervenções pautadas na exploração privada dos serviços", diz Ana Lúcia Britto, professora do Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Prourb/UFRJ) e pesquisadora do Observatório das Metrópoles. "Universalização e equidade são palavras chaves para a garantia do acesso ao saneamento como direito de cidadania". É uma boa lição.

Fonte: Carta Capital

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